O que tenho lido no papel

John Lennon e Yoko Ono

Firme no propósito de me manter relativamente offline, tenho compensado o descanso da net com a leitura de um amplo leque de revistas de papel. Achei uma boa idéia fazer uns resumos periódicos do que tenho lido em casa, até pra variar a pauta do blog, até o momento quase toda centrada em textos escritos há semanas. Vamos lá, então:

A Rolling Stone 52 publica a inédita última entrevista de John Lennon, concedida apenas três dias antes de ser assassinado. A entrevista tem pontos legais, mas Lennon é um tanto reclamão, e parece o tempo todo querer reivindicar o reconhecimento que acha que não recebeu da imprensa.

Mais interessante me pareceu um relato recente de Yoko sobre os últimos dias da vida dele. Ela tem perfeita consciência do quanto era “odiada”, e do quanto John a “protegeu” nessa empreitada arriscada de fazer um disco (Double Fantasy) dividido meio a meio. Ela diz que a pressão sobre eles tornava a vida deles um “inferno”, mas que o amor de John também a transformava num “céu”, um “céu que ficava no inferno”, mas que eles “adoravam”. Ela escreve muito bem, aliás.

A Bravo 161 publica um texto exageradamente laudatório de Arthur Dapieve a favor de Amy Winehouse. Por favor… precisava, para provar que Amy é “autêntica”, dizer que Lady Gaga “não tem nada a dizer”? Mania de crítico enfezado. E que passou por cima do imenso ponto de interrogação que se abre hoje sobre a carreira dela.

A julgar pelos relatos dos shows brasileiros, Amy parece estar sem nenhuma empolgação para seu repertório antigo. Mas, por outro lado, sua voz continua intacta, e ela mostrou vivacidade nas novas covers do repertório. Isso, e um disco novo produzido por Mark Ronson, mostram que o jogo está totalmente em aberto.

Na Piauí 52 o escritor irlandês Colm Tóibín faz um ensaio saboroso sobre o “milagre econômico” da Irlanda, que “foi da pobreza à prosperidade, e de volta à pobreza, em apenas 15 anos”.

As reformas liberais levaram à Irlanda grandes capitais externos, mas o povo investiu o dinheiro em consumo e imóveis, desprezando desenvolvimento tecnológico e industrial, e criou uma bolha que estourou junto a norte-americana, em 2008. O relato que ele faz do conservadorismo quase solidificado da sociedade irlandesa, e da incompetência de sua elite, é objetivo mas um tanto melancólico.

Melhor sorte temos nós, brasileiros. A Época Negócios 46 faz uma análise moderadamente otimista das perspectivas do governo Dilma, que, claro, vai pisar no calo de um monte de gente (sindicalistas, desenvolvimentistas, exportadores, partidos aliados), mas tem condições reais de perseguir crescimento sustentável de 5% ao ano e queda dos juros e da dívida.

A revista só demonstra um entusiasmo maior em relação à promessa solene da presidenta: erradicar a miséria no Brasil nesses quatro anos. Levar essas milhões de pessoas ao mercado de trabalho e de consumo já lhe reservará um lugar privilegiado em nossa história.

Anúncios

Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
Esse post foi publicado em Música, Política. Bookmark o link permanente.

3 respostas para O que tenho lido no papel

  1. Renée disse:

    Marcus, estou adorando essa sua fase “off line”. Quanto ao show da Amy, foi realmente decepcionante. Esperava mais.
    beijos,

  2. Leila disse:

    Por coincidencia, eu estava ouvindo ontem o CD Milk and Honey (remaster de 2001), que tem uma faixa com trechos da ultima entrevista que o John Lennon deu, horas antes de morrer, para uma radio de San Francisco. Vou ver a materia da Rolling Stone agora.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s