Harvey Dent e Duas Caras são a mesma pessoa

Harvey Dent

As breaking news atropelaram esse post, escrito há vários dias. A escolha de Anne Hathaway para o papel de Selina Kyle (aka Mulher Gato) no terceiro bat-filme foi seguida por um suspiro planetário. Não se sabe se pela surpresa estonteante ou por outros “atributos” dessa fantástica atriz. Também não sabemos se Selina ajudará Batman a ir para o fundo do poço ou tentará tirá-lo de lá. Tantas perguntas, tantos meses de filmagens…

Mas eu ia dizer uma coisa totalmente diferente. Que revi há pouco o segundo filme, e ficou mais uma vez clara a importância da presença de Harvey Dent (Aaron Eckhart) para manter a história num tom adulto quase incompatível com o modelo atual de blockbuster hollywoodiano.

A abordagem que Christopher Nolan deu para esse personagem clássico da mitologia morcegóvica surpreendeu pela quebra da dicotomia “Dr. Jekkil / Mr. Hyde” apresentada em outras épocas. Harvey Dent não é o médico e Duas Caras não é o louco. Ambos são a mesma pessoa.

No primeiro episódio da graphic novel homônima de Frank Miller, uma dupla de renomados cientistas “curou” Harvey Dent. Um cirurgião plástico restaurou a metade destruída de seu rosto, e um psiquiatra garantiu ter contido a dupla personalidade do ex-promotor.

A pedido da imprensa, Harvey mostra a moeda que tem no bolso, e ela está sem nenhuma marca em ambos os lados.

É claro que não ia dar certo.

Batman encontra mais tarde a moeda riscada nas duas faces, e quando captura Duas Caras (que a essa altura já tinha voltado ao crime), este diz que a dualidade deixou de existir, e que bastava olhar para dentro de si mesmo e ver como ele era de verdade.

Frank Miller desenha, então, Dent com os dois lados do rosto desfigurados. Numa fantástica sequência de quadros, Batman também olha para dentro de si mesmo e vê o morcego que o “possuiu” na infância, o qual lhe obriga a viver a vida quase suicida que leva.

Nolan  não chega a ser tão icônico em seu filme, mas também mostra um Duas Caras que rechaça a dualidade loucura / lucidez. No filme, Harvey Dent já tem o apelido de Duas Caras, já joga a moeda para tomar uma decisão, e já é um tanto violento, bem antes de ter o rosto esquerdo destruído na explosão de gasolina.

O fato mais importante para a mudança do personagem não foi a sua mutilação, mas o assassinato de Rachel (Maggie Gyllenhaal). O “sistema” em que Dent tanto acreditava mostrou-se falho. Mas Duas Caras não deixa de acreditar na Justiça, apenas quer fazê-la do seu jeito. Um jeito muito peculiar, é verdade.

Todos sabemos como isso terminou. E Batman que se cuide. Ele também anda meio alterado, precisando de uns ansiolíticos. Lucius Fox se mandou antes que aquele Bruce Wayne salvacionista e autoritário da graphic novel de Miller desse as caras. Mas na terceira aventura da trilogia, literalmente tudo pode acontecer.

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Sobre Marcus Pessoa

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