A fé do atacante diante do gol

Quando eu era criança e via futebol na TV de tubo, só uma parte do jogo aparecia, e de repente havia uma “surpresa” e uma jogada genial chegava ao gol.

Na primeira vez que eu vi no campo, percebi que nada disso era verdade. Não havia surpresas. A jogada genial já tava sendo enxergada por todos desde o início, desde o primeiro toque. O gol saía porque o atacante acreditava que aquele caminho óbvio, que tava sendo visto por todos, era bom o suficiente, e a força da fé dele era maior do que a descrença dos adversários.

Totalmente idiota a associação, eu sei, mas pensei nisso quando acordei de susto hoje e fui ouvir música.

Eu fiquei de DJ ontem no barzinho dos amigos aqui na esquina de casa, consegui alguns sorrisos das meninas, dancei colado com a minha melhor amiga, e no final tava morrendo de sono. Cheguei em casa depois da meia noite, soltei os gatos pra brincarem na vila de casa (tenho 4 deles) e… apaguei, dormi até 5 da manhã.

Eu parei de beber mas tenho sido tomado pela embriaguez do amor próprio, de perceber que o que eu faço é bom e relevante, e que eu tenho que continuar a fazer até perder os sentidos.

Eu acordei no susto, a casa toda aberta, e foi como se a noite não tivesse sido interrompida. Liguei o fone, coloquei no shuffle geral (aquele que toca qualquer música das 3 mil do celular) e… começa a tocar uma música ridiculamente linda que eu não lembrava de ter ouvido alguma vez na vida.

Era uma música acústica onde a genialidade da melodia, como a jogada do atacante no estádio, a gente já percebia no primeiro compasso, a gente sabia onde ia dar, e fica pensando: por que eu mesmo não fiz essa música? E a resposta era a mesma do futebol: porque, ao contrário de mim, o autor da música acreditou que aquele caminho era bom e que a música ficaria bonita e faria alguém feliz.

Ouvi a música, nem um pouco surpreso com as lágrimas que começavam a jorrar, e os gatos miavam porque queriam comida.

Eu fui dar ração, fechar a porta, tentando perplexo entender o que tinha acontecido, como se eu tivesse ouvido a música ainda no sonho, e não logo depois de acordar.

E, como os sonhadores, anotei no papel o panorama sem lógica que aparecia na minha mente, e venho aqui correndo contar pra vocês.

Ninguém perde amigos por dar trela aos seus delírios.

Publicado por

Marcus P

Don't believe the hype.

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